28
Dez
03

Aveiro — Elvas — Aveiro: Prego a fundo…

2ª Parte – O começo da Odisseia

– Que se foda! Eu vou, vou sozinho! – exclamou o Pako de forma decidida e convincente. Qual apostador a defender lerpa no escuro, este Pako! Como se não bastasse, para escancarar os beiços do boquiaberto Cagúbias, junta o Nexis:

– Oh, atão também vou, não te deixo ir sozinho! – foi neste instante que a tijoleira da Penthouse perdeu a perfeição: ainda hoje está por consertar o azulejo rachado que a queixada do Cagúbias fez o favor de foder! (Convém explicar, este espanto fora do normal do Cagúbias, porque não é qualquer coisa que nos faz cair o queixo no chão: ele nesta altura ainda acreditava MESMO que tinha ingressado na conceituada academia de Aveiro para tirar o curso; nada do que é bom lhe passava pela cabeça: cona, bebedeiras, aventuras, viagens…)

– Aqui sozinho não fico, eu também vou convosco! – E depois desta inesperada frase cagada, o Cagúbias voltou a ser o Zúbias. Grande ponto de confluência de energias esta Penthouse, realmente: nessa noite em dez minutos, quatro seres perdiam quatro medos, coisa rara! Por estas suites perde-se é mais virgos… Já diz o belo ditado, “Virgo aqui perdido jamais será encontrado!” Nós bem os procuramos… Cá entre nós que ninguém nos ouve, achamos que é a criadagem que os encontra e os mete ao bolso, porque nós, palavra, nunca mais os encontramos.

Voltando aos quatro medos perdidos… O Ken perdia então o medo de emprestar o seu Vauxhall para fins duvidosos, embarcando na odisseia; O Pako perdia o medo de fazer a viagem sozinho, enchendo o peito de ar, dizendo com pujança “Que se foda! Vou sozinho!” e embarcava na odisseia; O Nexis perdia o medo a baldar-se às aulas e a saltar entrega de trabalhos, embarcando na odisseia; O Zúbias perdia o medo das grandes aventuras universitárias (nunca saberemos se o que lhe deu o alento necessário foi o pavor de ficar em casa sozinho, se o facto dele sempre ter querido ir a Elvas para destruir um anel muito esquisito que ele esconde no bolso, nunca mostra a ninguém, e que se alguém lhe fala nele, começa logo a falar em salvar o mundo e em guerras com cavalos… castiço…), embarcando na odisseia.

Diz o Zúbias, pegando numa lancheira – Bou fazer a merenda pró caminho! – e cinco minutos depois, estávamos nós dentro do carro, feitos lobos a devorar a tal merenda carinhosamente preparada pelo Zúbias. Bolo de chocolate, de côco, belgas, compal de pêra, de pêssego, fresh de maçã, vital, rebuçados Penha, rissóis de camarão, sandes de panado e clementinas… Nada resistiu! Escusado será dizer que antes de entrar no IP5, já o pipo batia no caralho.

O Ken, supostamente, tinha de estar no quartel antes da meia-noite de domingo, ora, qualquer gajo que tenha tirado dois no exame nacional de matemática sabe que saindo de Aveiro às dez da noite, mesmo num Vauxhall branco, nunca se está em Elvas à meia-noite, isto é, o Ken já ia preparado para chegar lá fora de horas e ter de bater o corinho ao cabo que estivesse de serviço para o deixar entrar sem abrir o bico.

Zarpámos a todo o gás, e até Viseu não houve problemas…

Ehehah!!!

Pako, Zúbias & Nexis

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