02
Abr
04

Parrratxa Omnipresente,

Amigos sempre à frente!

A história que vamos (escrito a 6 mãos) relatar neste post aconteceu há poucas semanas. Temos andado a sair muito, a beber mais e a divertirmo-nos ainda mais: daí a Penthouse tem tido poucas vezes o seu recheio divino habitual: os 3 Deuses andam sempre fora. Numa dessas quinta-feiras, em que fomos até à praça decidimos apanhar aquilo a que chamamos uma “Buba Exponencial”… Isto é, a bebida ingerida era sempre potência da anterior: íamos beber uma rodada de cerveja ou uma de shots ou de vodka, ou o que fosse; na próxima iríamos beber 2 rodadas do mesmo, depois 3 depois 4, etc…

Ora, o grande efeito que isto teve foi despertar nas três divindades as suas respectivas criatividades, abrindo um precedente desconhecido nas personalidades superiores. A Arte esteve presente. Mais, respirou-se Arte nessa noite! As gran veias artísticas dos três Abeirões revelam-se:

Pako, o orador.

Zúbias, o cantor.

Nexis, o actor.

Quando a alcoolemia já ia alimentada por 3 ou 4 rodadas seguidas, revelou-se o Deus Zúbias, o cantor… A dada altura estávamos os 3 deuses na praça de copo na mão a micar umas passantes potenciais musas, quando (do nada) o Hino Oficial da Penthouse foi criado! Desde essa quinta-feira, há um “medlei” musical dedicado a essa Tripla fantástica de seres especiais. Uns acordes que exaltam os três seres: nós! Temos pena, mas a canção não a iremos divulgar aqui. Tem sido um grande “hit” tanto nos banhos dos deuses como em noites pouco sóbrias, por isso em breve poderão escutá-la, numa bebedeira perto de si… “Tripla Fantástica” é já dupla platina…

A noite memorável avançava, tal como a quantidade de gente nova (ou já conhecida) com que íamos interagindo, tal como a concentração etílica em nós, nos que nos rodeavam, e nos estudantes nocturnos em geral. O Preto, juntar-se-ia a nós pouco depois e foi nestes entretantos que se revela o Deus Pako, o orador… Ora, ninguém suspeitava até então, que por debaixo dessa fachada atormentada por cadeiras “quase-feitas” e práticas inacabadas (como é, infelizmente o mal dos três), jazesse uma alma de filósofo retórico agrilhoada à sobriedade, ansiando (como só parrratxa sequiosa de membro inchado e duro, sabe ansiar) pela libertação alcoólica: só hoje sabemos das coisas que o Pako sabe dizer, de como se expressa elegante, eloquente e articuladamente!

Num dos brindes, duma das muitas rodadas de shots dessa noite, foi a vez dele falar: qual discurso presidencial! Coisas eruditas e acertadas disse o Deus!

— Então agora, quem paga é o Pako, quem fala é o Pako! — diz o Zúbias pró shot que sergura na mão…

— Escutai-me oh gigantes de alma! Oh amigos de várias vidas… Escutai-me, porque sou eu mesmo que vos falo, que vos pago e hoje vos embebedo! Este brinde é a uma das verdades mais sagradas, pela qual devemos reger toda a nossa vida académica: “Elas, vêm e vão! Nós, não!” Cona teremos sempre, amigos, pode ser que não… Ouvi com ouvidos de ouvir! Dás um pontapé numa pedra, e lá haverá cona; é o chamado milagre conal, há-a em todo o lado! Amigos, há-os aqui, neste momento, neste lugar, ao pé de mim, ouvindo-me… “Mai nada”! Por isso, em verdade vos digo: que nunca, jamais ponhais a cona à frente dos amigos, porque estes se verdadeiros são perenes! Jamais consenti uma mulher à frente de um de nós, pois nós somos unos, santos, inigualáveis! Temos tempo para ser diferentes! Nunca abandoneis um verdadeiro amigo por uma mulher, nem que seja a melhor do Mundo, nem que seja por uma noite! Prometei-me amigos, que nunca nos abandonaremos e que nos escutaremos sempre, em detrimento de qualquer ser parrratxado! Que nunca deixaremos amigos nossos que nos venham cá visitar sozinhos, para estar com gajas nessa noite, ou que façamos escolhas que as ponham em primeiro! Que nunca mandaremos amigos nossos sozinhos para casa numa cidade que não é a deles ou cuidar de outro amigo bêbado, para ficarmos com duas gajas (ou mais), porque isso, não é de amigo, não é de verdadeiro amigo! Mas com isto não olvideis a força O.I.U… à qual sabemos estar terrivelmente fadados e amaldiçoados… Mas… deixo-vos com a maior verdade que o meu cérebro ainda consegue destilar a esta hora: “Parrratxa omnipresente, amigos sempre à frente!!!!”

E pronto… por esta altura estava o Nex e o Zúb o mais boquiabertos que conseguiam, tal tinha sido o rácio de quantidade de informação por segundo. A mulher do Kapagêbê Bar, estava a olhar pró Pako, com uma expressão que parecia uma de agora-este-gajo-saca-da-caçadeira-e-mata-nos-a-todos-e-fode-me-o-bar-aos-pedaços.-Pra-ké-keu-servi-o-shot-ò-filha-da-puta-do-psycko!!! Mas não… o Pako, com aquele seu ar de bailarino finlandês, sem qualquer precedente conhecido, revira o seu shot (quebrando a sintonia, porque os bebemos sempre ao mesmo tempo) sem esperar que nós o fizéssemos também, ou sequer que fechássemos as pasmas bocas e sai porta fora (não sem antes cambaleando, dar uma grande ombrada no balcão, seguida duma joelhada numa das cadeiras) conosco a decidir ainda se batíamos palmas ao orador que se retira ou se revirávamos os shots, ficando finalmente com as mãos livres! Reviramo-los, piscamos os olhos, e saímos… Deu pra ouvir um grande suspiro de alívio da mulher do balcão e uma ainda maior gargalhada das gajas trajadas que lá estavam num canto também a shotar…

E do Pako orador, nunca mais se ouviu falar; nem nessa noite, nem até à data… Mas valeu a pena. Bem, a noite avançou com o itinerário do costume, e foi depois de estarmos no Urgências, que outro “Relâmpago de Arte”, atinge um dos deuses, quais pára-raios artísticos! Nexis, o actor…

O Zúbias, o Pako, mais o Preto, estavam a travar uns “new connects” com umas miúdas engraçadas perto da ria, à entrada do Urgências, quando aparece o Nexis, vindo não se sabe donde, sozinho e se senta ao pé dos outros e das outras… Cruza a capa sobre os joelhos e nada! E nada mais… Não fez absolutamente mais nada… Zero, nickles, niente, rien! Nunca mais fez mais nada nessa noite… Os grandes laços que nos unem, não deixaram passar mais que dois minutos (depois dele se sentar ao pé do pessoal), até notarmos que algo se passava… Que havia irrequietude a menos, qualquer coisa esquisita…

Pró que lhe deu: ficou atónito, estático… Só visto! O tipo senta-se, crava o olhar no vazio (bem longe dali) e não se mexe mais! O pessoal pensou que o Nexis tinha entrado em choque tal era a inactividade… Vai de tentar esboçar nele qualquer reacção: empurra-lo para a ria (e agarra-lo logo a seguir), dar-lhe grandes chapadões, falar com ele, tocar-lhe nas mãos e na cara, mas nada… nada funcionava… O Pako pega nele, vai com ele ao “Ovelha Negra” pedir água, unta-lhe os beiços com água e açúcar, tudo… Mas ele não reagia… Parecia um boneco moldável, que obedecia ao toque mas insensível à voz!

Entretanto as tais 3 gajas com quem o Zúbias, o Preto e o Pako falavam quando o Nexis aparece, começam a fazer notar alguma preocupação pelo deus doente, começam a tentar ajudar, a ser prestáveis e a ser (talvez demasiado) simpáticas…

— Oh Marisa, da aí um beijo ao Nexis, a ver se ele reage! — lança o Preto com sorriso malicioso…

— Não sejas parvo… — responde a tal Marisa.

— A sério! Mexe-lhe no pescoço, a ber…

Mas ela nada fez… riu-se e continuou com as duas amigas a olhar e a dar palpites sobre a estranha condição do gajo desconhecido, o Nexis.

Gradualmente, o grupo alargado (os três deuses, o arqui-deus e as três aquisições) vão afastando-se do “Urgências” para o “Ovelha Negra” (no qual há um episódio em que o pessoal que lá está se parte a rir com a cena que o Nexis está a fazer…), e mais tarde para a praça já vazia (a massa de gente já estava ou no Urgências e no Estrondo ou no Oito…), e é aqui depois de muita indagação sobre a condição do Nexis, que continua sem proferir uma palavra, desviar o olhar ou fazer qualquer gesto humano, que surgem das grandes pérolas dessa noite:

— Mas ele só bebeu mesmo álcool hoje?? — diz uma das criaturas-femea — não teria “consumido” mais nada?

— Se ele está a gozar, eu juro que quando o apanhar na Universidade lhe vou ao focinho…

— Eu pego-lhe na cabeça e parto-a na montra do BPI, vais ver se ele não acorda!!!

E a mostra da burrice feminina continuava… Não nos lembramos de mais, porque o álcool tem propriedades amnésicas, mas isto dá já uma pequena amostra da diminuída psique feminina!

O reverso da medalha, é que o Nexis tinha conseguido também enganar os colegas bêbados (talvez não tanto como ele), e a anestesia induzida dele, tinha-se tornado num estado de choque que requeria imediata assistência hospitalar no entender dos amigos; especialmente no do Pako — amigo de infância do Nexis — que já na rotunda das pontes no centro da cidade, decide chamar uma ambulância! Sem que o Nexis no seu estado se aperceba do que estava realmente a acontecer à sua volta (de tão imbuído estar no seu papel desempenhado na perfeição), o INEM parte da sua gare e felizmente o Nexis apercebe-se de que agora já era grave, e que a sua pequena performance individual está agora a sair da esfera de influência dos amigos e das três gajas! Então muito dissimuladamente, fala para um dos amigos que está mais perto (o Preto), quase imperceptivelmente e lhe diz:

— Fodass! Diz ao Pako que não chame a merda da ambulância, que isto é tudo fita caralho!

Ora, o Preto, bêbado, pouco escorreito escaca-se a rir, ao invés de dar efectivo seguimento à petição do Nexis. Também sorrateiramente, a informação da farsa é passada ao Zúbias que tem reacção semelhante e menospreza igualmente o desejo do amigo… Então o Nexis, volta a falar entre dentes:

— Caralho, o Pako não percebeu esta merda! Leva-me daqui, senão temos de pagar a falsa deslocação do INEM e ‘tamos fodidos! Saca o contacto das gajas e dá uma desculpa! Tira-me daqui sem eu ter de foder o disfarce!

E o que se segue é uma atrapalhada desculpa de bêbados dizendo que têm uma amiga enfermeira que ali mora perto que tratará dele sem ser preciso ir ao Hospital, mas que era melhor ficar com os números delas para depois falarmos, etc… O Preto desata a correr aparando o Nexis (sem ele ter de findar a sua pecita experimental) trajado a bater também com os sapatos no asfalto, e depressa se orientam para bem longe dali (para casa)… O Zúbias chega pouco depois e o Pako que ficou a dar trela às miúdas, chega a casa meio fodido por ter tido também de bater o coro aos socorristas do INEM, meio contente por ter sacado contactos de gajas jeitosas…

A noite foi cómica, produtiva, diferente… Ninguém percebe o que se passou na cabeça retorcida do Nexis, mas não foi muito usual… O objectivo (diz ele já sóbrio) até era nobre: “que vocês sacassem o contacto às gajas ou melhor que as comessem, aproveitando para as conhecer melhor pela empatia que mostraram pela minha débil condição”! Bem… lógicas alcoólicas nunca foram discutíveis… Que panca!

Ainda ninguém reencontrou as gajas (futuras musas?) daquela célebre noite, mas o esquema discursivo, está alinhavado… Algo do tipo, «Ahhh… Marisa, Rute e Dalila… Que surpresa, nunca mais vos vimos! É verdade… Queríamos agradecer-vos por terem sido tão fixes e prestáveis na outra noite com o nosso amigo… Ele não se lembra de nada, esqueceu-se que estava a tomar uns medicamentos e bebeu! Deve ter feito uma reacção qualquer esquisita isso tudo! Estas cabeças irresponsáveis… Mas pronto já passou! Como é que vos podemos recompensar por toda a moléstia? Afinal perdestes uma noite por nossa causa! Podemos “dar-vos” uma noite?» … e os dados ficam lançados… Se houver desenvolvimentos com elas, escrever-vos-emos.

Como já dissemos, a Arte esteve presente nas nossas vidas… Viva a puta da Arte caralho…

Ehehehehehehah… (triplo)

Zúbias, Pako & Nexis

PS — Um abraço para aqueles três cromos de Coimbra que às vezes, trajados se fingem de cegos nos comboios e na cidade; o verdadeiro talento teatral universitário!

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