15
Mar
05

Voltar a sentir.

Pois hoje foi daqueles dias que me senti dispensável aos olhos dos meus pais.
A tarde apareceu, por entre as nuvens nesta colmeia de gente, o sol fazia por aquecer o coração daqueles que ainda se aventuram galgando os passeios das ruas da cidade. Da minha janela senti o dia como se de uma tarde primaveril se tratasse, os tons claros cobriam a cidade, aquele cheiro no ar trouxe-me recordações dos dias em que eu era somente componente física na engrenagem que é sociedade, puto, inconsciente e desprovido de responsabilidade. “Aulas?”. Pensei eu!
Deixei o meu mundo e aventurei-me, propuseram-me sentir a brisa do mar, inconscientemente dei por mim no ponto sem retorno. Acordei deste estado de letargia num qualquer parque de estacionamento da cidade, porém este diferente de todos os outros, a cor, a energia, o cheiro, tudo era específico e especial, o mar à minha frente, aquela imensidão de azul. Prontamente corri para esplanada mais próxima.
Entre o café e os cigarros, uma conversa surgiu!
– Lembras-te de como éramos quando tínhamos 16 anos?
– Se me lembro.
Desta maneira dei a minha resposta, vaga e desprovida de sentimento, mas era uma batalha desigual entre “mim” e “mim” não voltar atrás. Relembro a inocência, a abordagem para com as pessoas, as convicções da altura que hoje caíram por terra. No meio do silêncio nova pergunta:
– E as gajas? Bons tempos…
Nesta tinha que responder.
– Sabes, tenho saudades desses dias, da maneira de amar daquela altura, o facto de ter a dita rapariga à nossa frente e não lhe poder tocar, de ir especificamente para um sitio só com o intuito de a ver, nem que fosse de longe, de sair à noite com a sensação que era a primeira vez todas as vezes, de sair com uma peça nova de roupa, e essa coisa tão simples e desprezável alimentava de tal maneira o nosso ego que éramos os maiores, íamos confiantes, fazíamos maravilhas, metíamos conversa com a rapariga mais inatingível da cidade, como nos contentávamos com coisas tão banais, mas éramos felizes… e hoje? Somos? Tudo hoje é tão automático, maquinado, não existe sentimento, se existe, por uma questão de reputação temos que agir como se ele não existisse. Tudo tão problemático: pensamos demais. No que nos tornamos, afinal? Acho que por pecados cometidos, Deus, como penitência fez com que hoje tudo na minha vida, no campo em questão, perdesse o interesse, sinto-me mais um jovem no limiar de virar adulto a viver as situações sem o mínimo de romantismo e magia. Quem me dera voltar para trás no tempo, quem me dera voltar a sentir…

LV-426 [HyperDyne Systems ®]


2 Responses to “”


  1. 1 Anonymous
    Quinta-feira, 17 Março, 2005 às 11:34

    Bem… tiveste mesmo là!

    Que saudades… pk é k tudo muda tanto? A felicidade ai tocava-se mesmo. Infancia ha so uma, mas devia prevalecer sobre a idade adulta…

    Nexis

  2. 2 Faranfas
    Segunda-feira, 11 Abril, 2005 às 11:05

    fdx lindo! fdx que sdds disso tudo! que sdds dos tempos em k tu eras bruno e não lebe! fdx!

    abraço


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