27
Jul
08

O aniversário

Como me tenho vindo a tornar um adepto da teoria “conecting the dots” (ver o super inspirador vídeo do discurso de Steve Jobs na Universidade de Stanford, que me fez finalmente dar um nome ao meu lado místico e espiritual, a sensação da presença de “destino” e “transcendente” de haver algo mais elevado e um desígnio que podemos não compreender agora, mas mais tarde quando olharmos para a nossa caminhada percebermos o porquê de cada estalo de cada percalço e senão) foi difícil perceber um “dot”, ontem.

Fiz 26 anos ontem, 26 de Julho, e como andava cansadito de andar a trabalhar e a ter de me levantar às 8 da manhã (oh suave ironia que me levanto em férias às horas a que me deito em aulas) fui tomar um café na noite de 25 Sexta com os amigos, mas incapaz de aguentar na rua até à meia-noite, já estava na caminha quando entra o meu dia de anos… Ansioso pela torrente de SMS que com certeza entupiria o meu Nokia às zero horas, não consegui adormecer apesar do cansaço, e revirando-me ia abrindo o olho para o telemóvel em modo vibração. Os minutos avançavam, e devo ter adormecido lá prá meia-noite e meia, sem uma única mensagem recebida. Vencido pelo sono, lá adormeci sem um «Parabéns, oh (introduzir miminho personalizado aqui)» na cabeça para me embalar. Mas como adormeci logo nem tempo tive para deprimir, mas tive tempo para que a minha mente narcísica e conspiratória dissertasse sobre mesas de amigos meus a combinar não me enviar nada para que eu pensasse que se tinha esquecido o mundo de mim… De manhã, corri para o telemóvel ligado como se fosse um puto americano que abre os presentes na manhã do dia de Natal, mas o “Santa Claus” não tinha mesmo parado na minha chaminé: telemóvel zero. Zero mensagens, zero chamadas, zero tudo. Então??????? Que complô esquisito era aquele que fazia com que ninguém se lembrasse de mim?

Entre as pressas do horário e o pequeno-almoço e o xixi e o banho e a roupa e o resto, cogitei “É impossível! Os meus amigos não conseguiriam mobilizar-se assim, eficazmente para que ninguém me congratulasse! Os de Aveiro? Os de Mirandela? Os dessa Europa fora e todos os que se afligem há 365 dias para me felicitar? Que é deles?” Algo vai terrivelmente mal neste mundo globalmente aquecido se já nem se dá os parabéns ao Nexis!!! Bom, bom, desligar e religar o telemóvel, não? Pouco depois de introduzir o pin, a constrita torrente de SMS que ingloriamente tentara durante a noite chegar ao meu aparelho (desigual luta de ondas e antenas que deve ter antecedido o crepúsculo do meu dia) injectava-se aliviadamente com estrondo e alarido de pi-pis pi-pis! Uma dúzia de “mensagem recebida”! Ahh! Afinal já me posso voltar a preocupar com o aquecimento global! Assim sim! Está melhor!

Mas! Mas no meio da confusão matutina e do reverberante (Adoro esta palavra, reverberante, enche a boca! Como é bom encher a boca de meninas próximas! Encher é bom, faz-me reverberar!) sorriso recém posto pelos algarismos antes de “mensagem recebida”, no atafulhar de coisas estritamente necessárias no saco para levar para a manhã de trabalho árduo (óculos de sol, revista, livro, relógio, chaves, carteira, chiclets) o bichinho negro que tanta alegria me tinha trazido foi esquecido e deixado para trás. Dei conta quando já estava no escritório e debalde escarafunchei no chão da carrinha debaixo dos pedais à espera de encontrar a fonte da minha felicidade caída.

Moral da história: estive até à uma da tarde sem poder ser devidamente congratulado pelo meu vigésimo sexto aniversário, tendo de cingir as parabenizações às dos meus pais. Enquanto imaginava um empilhar de mensagens e chamadas no meu quarto, a manhã ia arrastando-se a custo pois era-me difícil culpabilizar alguém mais que a mim mesmo pelo distancia ao telemóvel e os seus tesouros guardados! Como não sou de entrar em auto-comiseração, lá me entreti a divagar sobre que palavras bonitas estariam à minha espera em casa e até que numero ascenderia o “mensagem recebida”.

A verdade é que a força da antecipação de tantas horas, sobre quem seria o primeiro, quem seria o mais divertido, o mais elogioso, o mais surpreendente, causou-me uma alegria imensuravelmente maior quando à hora de almoço chego finalmente e começo a desembainhar, mensagem a mensagem, com tempo, saboreando cada carácter, de cada pessoa. Obviamente a expectativa foi um prolongar de prazer, sim egoísta, mas afrodisiacamente saboroso. Coleccionar as SMS de parabéns tem-se tornado um vicio anualmente muito mais interessante que as de Natal ou de Ano Novo.

Olhando para trás, aprendi que o sacrifício de todas aquelas horas, a desilusão de adormecer sem uma palavrinha quente, foi um potenciador do bem que me soube ler as coisinhas boas que amigos, amigas e resto do globo me disse ontem. A todos os que se lembraram de mim, porque sou importante ou porque gostam de mim sem razão aparente: muito obrigado! E bom Natal também para todos.

Nexis

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